Federação Ucraniana Ginástica condena retorno de Rússia e Belarus sob símbolos nacionais

Entidade afirma que medida é ilegal, discriminatória e contrária aos princípios éticos do esporte internacional

A Federação Ucraniana de Ginástica (UGF) divulgou um duro posicionamento oficial contra a decisão da World Gymnastics (antiga FIG) de retirar as restrições impostas a atletas da Rússia e Belarus e permitir o retorno dos dois países às competições internacionais sob seus símbolos nacionais.

O comunicado foi publicado após a decisão anunciada em 18 de maio, pelo Comitê Executivo da entidade internacional, que determinou o fim imediato das limitações em vigor desde fevereiro de 2022, adotadas após o início da guerra na Ucrânia.

Na nota, a federação ucraniana afirma que a decisão “contradiz os princípios éticos do esporte” e apresenta “contradições legais substanciais” em relação aos próprios estatutos da World Gymnastics.

Segundo a UGF, uma decisão dessa magnitude não poderia ter sido tomada apenas pelo Comitê Executivo da entidade. A federação argumenta que mudanças relacionadas ao status global das competições, igualdade entre atletas e segurança esportiva deveriam ser discutidas pelo Congresso da World Gymnastics, órgão máximo da instituição e composto por todas as federações nacionais filiadas.

Diante disso, a entidade ucraniana exige a convocação imediata de um Congresso Extraordinário para debater oficialmente a reintegração de atletas russos e bielarussos sob bandeiras nacionais.

A federação também acusa a World Gymnastics de criar um cenário de discriminação contra atletas ucranianos. No comunicado, a entidade afirma que a decisão estabelece “condições desiguais e anti-humanas” ao favorecer representantes de países considerados responsáveis pelas perdas humanas causadas pela guerra.

Outro ponto destacado pela UGF é o impacto emocional e moral sobre os ginastas ucranianos. Segundo a federação, a medida obriga os atletas a enfrentarem um “conflito ético profundo” ao dividirem pódios e arenas com representantes de países envolvidos diretamente na guerra, agora novamente autorizados a competir sob bandeiras e hinos nacionais.

A entidade afirmou ainda que irá contestar oficialmente a decisão da World Gymnastics por considerar que ela excede os poderes estatutários do Comitê Executivo e viola princípios fundamentais de não discriminação e integridade ética no esporte.

Ao final do comunicado, a Federação Ucraniana de Ginástica convocou outras federações nacionais a apoiarem o pedido de realização de um Congresso Extraordinário para reavaliar a decisão.

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