Ginastas desses países poderão competir não apenas individualmente, mas com conjuntos e por equipes

A Gymnastik International, realizada nos dias 14 e 15 de março, marcou a volta do conjunto de Belarus às competições internacionais organizadas ou sancionadas pela Federação Internacional de Ginástica (FIG), depois de quatro anos de sanções por causa da guerra da Ucrânia. Você pode estar se perguntando:
“Como assim? Não eram apenas atletas individuais que estavam autorizadas a competir com o status de atleta neutro?”
Errado. A partir de 2026, Rússia e Belarus vão disputar os torneios de ginástica rítmica não mais apenas com atletas individuais, mas com conjuntos. Dessa forma, também poderão disputar medalhas por equipes.
Em julho de 2025, a FIG retirou das regras para obtenção do status neutro um parágrafo que proibia explicitamente times formados por dois ou mais ginastas, o que inviabilizava a presença de conjuntos da Rússia e de Belarus em campeonatos de ginástica rítmica. Sem o trecho, o documento abriu portas para que tais países disputassem com seus conjuntos e equipes.
Os conjuntos russo e bielorrusso já estão inscritos para as Copas do Mundo de Sofia, Tashkent e Baku.
A lista de participantes de Belarus contém as seguintes atletas para as Copas de Sofia e Tashkent: Sofya Barysevich, Valeryia Malkovich, Hanna Shakun, Emiliya Viachorka e Taisa Yerchak. Palina Aliaksandrava estará somente no torneio do Uzbequistão.
Já a Rússia terá a mesma equipe nas duas competições: Sabina Baiburina, Mariia Fedorovtseva, Amina Idrisova, Nonna Nianina, Alina Rusanova e Ekaterina Timoshenko.
O retorno dos conjuntos de Rússia e Belarus acirra ainda mais a disputa por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Serão apenas 14 vagas. Confira o sistema de classificação para as Olimpíadas aqui.

RETORNO DAS INDIVIDUAIS DA RÚSSIA
Em 2024, após dois anos de sanções, começamos a ver ginastas individuais de Belarus em competições organizadas ou sancionadas pela FIG. O retorno mais importante foi de Alina Harnasko, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
As ginastas da Rússia só decidiram solicitar o status de atleta neutro em 2025. Entretanto, as atletas que tiveram seu pedido aceito optaram por não competir como uma forma de solidariedade àquelas que tiveram a solicitação negada.
Após uma mudança nas regras para obtenção do status de neutralidade, ocorrida em julho de 2025, quando muitas ginastas da Rússia começaram a ganhar o status de atleta neutro, foi possível ver competidoras daquele país em torneios internacionais.
Em 2026, elas voltaram com tudo e já estarão competindo nas Copas do Mundo. Mariia Borisova e Eva Kononova estarão em Sofia e em Tashkent. Já Arina Kovshova e Sofiia Ilteriakova vão competir em Baku. Borisova inclusive participou do Grand Prix Marbella, no último fim de semana, onde ganhou duas medalhas nas finais por aparelhos.

ENTENDA O HISTÓRICO DE SANÇÕES
Desde 7 março de 2022, atletas da Rússia e de Belarus foram proibidos pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) de disputar competições organizadas ou sancionadas pela entidade.
A decisão levou em conta uma recomendação do Comitê Olímpico Internacional (COI) e fez parte de um pacote de represálias da comunidade internacional em diferentes setores. Antes disso, em fevereiro daquele ano, a FIG, também seguindo orientações do COI, já havia cancelado todos os torneios que aconteceriam em solo russo e bielorrusso.
Em março de 2023, o COI pediu que as federações esportivas permitissem a participação de atletas da Rússia e de Belarus como atletas individuais neutros. Esses países estariam excluídos de disputas por equipes e esportes coletivos. A entidade divulgou uma série de critérios a serem preenchidos pelos desportistas, como não ter apoiado ativamente o conflito, nem ter relações com as Forças Armadas de seus países.
Em abril daquele ano, em visita à Ucrânia, por ocasião do funeral da treinadora Albina Deriugina, o presidente da FIG, Morinari Watanabe, disse ser a favor do retorno de ginastas da Rússia e de Belarus às competições internacionais.
Entretanto, em maio, o Comitê Executivo da FIG manteve as sanções. Dois fatores pesaram: a forte presença no Comitê Executivo de países que se opunham a que russos e bielorrussos competissem e a falta de consenso sobre os critérios para considerar a neutralidade dos atletas.
Somente em novembro de 2023, a FIG divulgou as regras para a participação de ginastas russos e bielorrussos nos torneios, ressaltando que os interessados poderiam solicitar o status de atleta neutro a partir de 2024. Tal decisão poderia permitir que os atletas participassem do Campeonato Europeu de 2024, que valia vaga para os Jogos Olímpicos de Paris.
Porém, em dezembro, a União Europeia de Ginástica (UEG) votou contra a permissão de atletas e dirigentes da Rússia e da Bielorrússia regressarem às competições oficiais de ginástica europeia. A medida impediu que atletas desses países estivessem no torneio continental de 2024, mesmo aqueles que tivessem obtido por parte da FIG o status de neutralidade.
Em janeiro de 2024, foram divulgados os primeiros nomes de atletas, treinadores e membros de delegações que haviam conseguido o status de neutralidade. O destaque foi para Alina Harnasko e Anastasia Salos, duas potências da GR bielorrussa.

Não havia nomes de ginastas ou oficiais russos na lista. Na época, a então presidente da Federação de Ginástica Rítmica da Rússia, Irina Viner, já havia dito à imprensa que não concordava com determinadas regras definidas pela FIG, como a questão das cores dos collants, uniformes e aparelhos e a prévia autorização de músicas. Por isso, nenhuma de suas atletas iria solicitar o status de neutralidade.
Percebendo que não conseguiria retornar às competições internacionais em seus termos, a cúpula do esporte da Rússia passou a incentivar a obtenção do status de neutralidade. Na ginástica, o passo importante foi acabar com as federações de cada modalidade e unir todas em uma única confederação, como acontece no Brasil. Com isso, em setembro de 2024, Viner perdeu o cargo de presidente da Federação de Ginástica Rítmica. Além disso, foi afastada pelo presidente Vladimir Putin do Conselho para o Desenvolvimento da Cultura Física e Esportes.
Encurralada, perdendo poder em todas as frentes, em janeiro de 2025, Viner renunciou ao cargo de treinadora principal da seleção de ginástica rítmica da Rússia, que ocupava desde 2001. Com isso, diversas ginastas e membros de deleção solicitaram status de neutralidade.
Porém, em abril daquele ano, as atletas russas de ginástica rítmica que receberam o status de atleta neutro decidiram não participar de competições em apoio a outras ginastas que tiveram o status negado. O presidente da Federação Russa de Ginástica, Oleg Belozyorov, afirmou que iria buscar uma revisão das regras, que classificou como discriminatórias e disse esperar que sua posição fosse ouvida na reunião do Comitê Executivo da FIG, que seria realizada em maio.
A pressão parece ter surtido efeito, pois em julho de 2025, a FIG divulgou novas regras para a participação de atletas russos e bielorrussos em competições sancionadas pela entidade. A maior novidade dizia respeito ao parágrafo sobre a participação de equipes, que foi apagado.
A partir disso, muitas ginastas individuais da Rússia e de Belarus, mas também atletas de conjunto conseguiram o status de neutralidade. Em outubro, Maria Borisova, Ulyana Yanus e Ksenia Savinova receberam o status de atleta neutro e representaram o clube Sky Grace, comandado pela campeã olímpica Alina Kabaeva, na AEON Cup, em Tóquio.
Em novembro de 2025, foi a vez de a UEG suspender as sanções. Assim, atletas da Rússia e de Belarus poderão participar do Campeonato Europeu, competição classificatória para o Mundial de Frankfurt.
Em fevereiro de 2026, veio a grande novidade: Lala Kramarenko, grande promessa da Rússia, conseguiu permissão para competir internacionalmente. No entanto, ela não foi relacionada na seleção nacional, pois se recupera de cirurgia.
Neste mês de março, completam-se quatro anos das sanções impostas a ginastas da Rússia e de Belarus devido à guerra na Ucrânia. No momento, 52 ginastas russas e 24 bielorrussas estão autorizadas a competir em torneios organizados ou sancionados pela FIG.



