Seleção teve erros na série de fitas e ficou fora do pódio. China e Ucrânia ganharam os ouros das finais

A seleção brasileira de conjuntos conquistou outro resultado histórico para o Brasil no Campeonato Mundial do Rio de Janeiro. Neste domingo, a equipe ganhou a primeira medalha em uma final por aparelhos para o país. Duda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Nicole Pircio e Sofia Pereira fizeram uma excelente apresentação e faturaram a prata com a nota de 28.550. O ouro foi para a Ucrânia, que ficou à frente do Brasil pela diferença mínima de 0.100. A China levou a medalha de prata.
FINAL 5 FITAS
Primeira colocada das classificatórias, a Bulgária abriu a disputa com uma queda de aparelho fora da área de competição, acabando com todas as chances de pódio. O Uzbequistão teve incontáveis erros. Para a Polônia, houve um nó entre duas fitas e as ginastas demoraram certo tempo para conseguir desatá-lo. O Brasil estava fazendo uma apresentação com poucas faltas até que, em uma colaboração, uma das fitas ficou presa no pé da Mariana e Duda não conseguiu recuperar. Em seguida, foi no pé de Nicole e o aparelho acabou vindo ao chão. A ginasta teve de se apressar para conseguir fazer o lançamento de duas fitas sem mãos e ele não saiu muito preciso. Sofia acabou recuperando a fita que devia ir para as mãos de Mariana. E na última colaboração, Nicole não conseguiu fazer dois rolamentos como Maria Paula. A nota de 22.850 eliminou as chances de uma medalha. Japão, Israel e Espanha conseguiram sobreviver com apenas uma queda de aparelho. O único conjunto que passou sem grandes falhas foi a China, que conquistou o título.

FINAL 3 BOLAS E 2 ARCOS
O Brasil foi o primeiro a entrar em quadra e cravou a série. A nota de 28.550 foi a maior que a equipe conseguiu este ano. Em seguida, o Japão teve queda do arco em uma colaboração e deu adeus ao pódio. A China fez uma excelente série, mas a nota ficou 0.200 abaixo da do Brasil. As treinadoras entraram com recurso, que foi indeferido. A Polônia sofreu uma perda da bola em uma troca e, até as ginastas se reorganizarem, deixou de fazer alguns elementos. A Hungria também não teve um bom dia. Uma das ginastas não conseguiu recuperar a bola em uma colaboração e o aparelho foi ao chão. A Ucrânia fez uma série cravada, com poucas imprecisões, aumentou em um ponto a nota em relação às classificatórias e passou o Brasil por um 0.100 para decepção da torcida e da delegação brasileira. A Espanha teve muitas faltas de trajetória, mas, no geral, foi bem. A equipe entrou com recurso, mas a nota não foi alterada. Israel fechou o campeonato com uma performance regular. O conjunto teve uma falta na recuperação dos arcos em uma colaboração.
“A gente estava um pouco apreensiva para a série de fita porque estava ventando, estava mais úmido. A série não foi do jeito que a gente gostaria, mas elas viraram a chave muito rápido. A gente repetiu mais vezes as trocas que a gente sabia que poderiam ter mais nota porque elas acabaram não fazendo alguns critérios nas classificatórias e hoje elas conseguiram fazer tudo. A gente saiu muito feliz de ver essa serie tão perfeita, a mais perfeita que elas fizeram até hoje”, explicou a treinadora Camila Ferezin.
Nicole Pircio ressaltou a importância da experiência das atletas para esquecer o que passou na série de 5 fitas e voltar focadas para a final de bolas e arcos.
“A gente pensa primeiramente em bloquear o que já foi. A gente trabalha muito isso na nossa cabeça, de viver o momento presente, de estar focada no aqui agora. A gente se uniu conversou muito e mostrou essa série linda”, avaliou Nicole.

ANO NOVO, SÉRIES NOVAS
A treinadora Camila Ferezin anunciou que as apresentações das finais por aparelhos marcaram a despedida das coreografias. Ela já vai começar a buscar novas músicas para a composição das séries. Os aparelhos também serão diferentes para 2026. O simples terá 5 bolas. Já o misto terá 3 arcos e duas maças.
“Agora nós vamos começar tudo do zero de novo. Vamos atrás de música, pesquisar todo o processo novamente de escolher as músicas, de escolher os collants e a gente se despediu dessas coreografias”, revelou Camila.
Para Duda Arakaki, as séries ficarão marcadas em suas vidas.
“Ainda está caindo a ficha. Foi a última vez que a gente apresentou essas séries, mas foi no melhor campeonato das nossas vidas, em casa. Então, a gente está muito realizada. Foram séries que vão ficar marcadas pra sempre na nossa história”, afirmou a capitã da seleção.

FINAL ARCO
Pelo individual, as finais individuais foram marcadas por algumas surpresas.
Sofia Raffaelli foi a primeira a se apresentar no arco, cravou a série e aumentou em quase dois pontos a nota em relação às classificatórias. Emir Hatice Gokce e Rin Keys fizeram séries bem parecidas com às do primeiro dia de competição. Taisiia Onofriichuk, que tinha se qualificado em segundo, lançou para trás o primeiro elemento dinâmico de rotação (risco), sem mãos, e não conseguiu recuperar o aparelho. O erro fez com que ela ficasse de fora do pódio. Por sua vez, Stiliana Nikolova, diferentemente da final do individual geral, conseguiu passar sem erros e aumentou sua nota. Zilu Wang teve uma perda do aparelho. Darja Varfolomeev sofreu um desequilíbrio no pivot Raffaeli e colocou a mão no chão. Depois teve saltitos no pivot fouetté. Por último, Anastasia Simakova cravou sua série e conquistou o bronze.

FINAL BOLA
Rin Keys entrou em quadra e fez um excelente exercício, o que aumentou em mais de um ponto a sua nota em relação às classificatórias e lhe rendeu a medalha de prata. Stiliana Nikolova teve muitas imprecisões e saiu frustrada. Tara Dragas não conseguiu repetir o desempenho do primeiro dia, apesar da boa apresentação. Meital Maayan Sumkin teve um desequilíbrio na preparação para o pivot fouetté e repetiu o elemento. Darja Varfolomeev não conseguiu mostrar a sua série como de costume, mas foi o suficiente para o ouro. Sofia Raffaeli estava muito atenta às trajetórias imprecisas do aparelho, mas pode ter perdido alguns critérios na recuperação dos lançamentos. A italiana ficou com o bronze.

FINAL MAÇAS
Com apenas 16 anos, Amalia Lica teve a responsabilidade de abrir a final de maças, única para a qual a romena havia se classificado. Ela cravou e mal sabia que a nota de 29.000 seria suficiente para a medalha de prata. Taisiia Onofriichuk não conseguiu repetir o desempenho das classificatórias e abortou um risco por ter lançado o aparelho para trás. Stiliana Nikolova e Liliana Lewinska tiveram queda do aparelho em um risco. Já Takhmina Ikromova teve que abortar um equilíbrio lateral, depois deixou uma das maças cair em uma DA e ainda teve queda em um risco. Zilu Wang também enfrentou problemas com queda no risco e em uma DA. Darja Vafolomeev fez o de sempre, cravou tudo e ganhou o ouro. Com todo mundo errando, mais do que nunca Sofia Raffaeli tinha chances de medalha, mas ela acabou perdendo as maças em duas DAs. Nikolova ficou com o bronze, pois foi a ginasta que errou menos.

FINAL FITA
Diferentemente da final de maças, em que as ginastas tiveram muitas faltas graves, a final de maças começou com as atletas cravando. Anastasia Simakova e Stiliana Nikolova fizeram grandes apresentações e colocaram o sarrafo no alto. Anastasiya Sarantseva teve desequilíbrio no pivot fouetté e não conseguiu completá-lo. Darja Varfolomeev performou ainda melhor do que nas classificatórias e foi a única a ultrapassar os 30 pontos. Taisiia Onofriichik teve poucas imprecisões, mas não conseguiu validar todos os critérios, o que fez a sua nota não vir tão alta. Eva Brezalieva e Tara Dragas fizeram ótimas apresentações, mas não o suficiente para o pódio. Rin Keys não conseguiu completar as rotações de base de um dos riscos, o que abaixou a sua nota de dificuldade.

QUADRO DE MEDALHAS
Dez países conseguiram ganhar medalhas no Mundial. A Alemanha ficou no topo do quadro de medalhas pela segunda vez consecutiva com 5 ouros e 1 bronze. Japão, Itália, Ucrânia e China foram os outros países a conquistar medalhas de ouro. O Brasil se tornou o primeiro país não europeu e asiático a ganhar uma medalha em uma edição de campeonato mundial nos conjuntos. O mesmo feito foi alcançado por Rin Keys, dos Estados Unidos, no individual.
| PAÍSES | OURO 🥇 | PRATA 🥈 | BRONZE 🥉 |
| Alemanha | 5 | – | 1 |
| Japão | 1 | 1 | – |
| Itália/Ucrânia | 1 | – | 2 |
| China | 1 | – | 1 |
| Bulgária | – | 4 | 1 |
| Brasil | – | 2 | – |
| Romênia/Estados Unidos | – | 1 | – |
| Espanha | – | – | 2 |
O próximo Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica será realizado de 12 a 16 de agosto de 2026, em Frankfurt, na Alemanha.
RESULTADOS
ARCO
🥇Sofia Raffaeli 🇮🇹 30.650
🥈Stiliana Nikolova 🇧🇬 29.950
🥉Anastasia Simakova 🇩🇪 29.400
4. Rin Keys 🇺🇸 29.200
5. Darja Varfolomeev 🇩🇪 28.950
6. Taisiia Onofriichuk 🇺🇦 28.850
7. Emir Hatice Gokce 🇹🇷 28.250
8. Zilu Wang 🇨🇳 27.400
BOLA
🥇Darja Varfolomeev 🇩🇪 30.350
🥈Rin Keys 🇺🇸 29.050
🥉Sofia Raffaeli 🇮🇹 28.750
4. Takhmina Ikromova 🇺🇿 28.700
5. Stiliana Nikolova 🇧🇬 28.500
6. Tara Dragas 🇮🇹 28.050
7. Meital Maayan Sumkin 🇮🇱 27.500
8. Polina Karika 🇺🇦 26.650
MAÇAS
🥇Darja Varfolomeev 🇩🇪 31.700
🥈Amalia Lica 🇷🇴 29.000
🥉Stiliana Nikolova 🇧🇬 28.800
4. Taisiia Onofriichuk 🇺🇦 28.750
5. Sofia Raffaeli 🇮🇹 28.400
6. Liliana Lewinska 🇵🇱 27.900
7. Zilu Wang 🇨🇳 27.200
8. Takhmina Ikromova 🇺🇿 26.000
FITA
🥇Darja Varfolomeev 🇩🇪 30.250
🥈Stiliana Nikolova 🇧🇬 29.800
🥉Taisiia Onofriichuk 🇺🇦 29.100
4. Tara Dragas 🇮🇹 28.800
5. Rin Keys 🇺🇸 28.100
6. Anastasia Simakova 🇩🇪 28.100
7. Eva Brezalieva 🇧🇬 28.050
8. Anastasiya Sarantseva 🇺🇿 27.150
5 FITAS
🥇China 🇨🇳 27.550
🥈Japão 🇯🇵 26.650
🥉Espanha 🇪🇸 25.950
4. Israel 🇮🇱 25.300
5. Bulgária 🇧🇬 24.750
6. Brasil 🇧🇷 22.850
7. Polônia 🇵🇱 22.500
8. Uzbequistão 🇺🇿 22.450
3 BOLAS E 2 ARCOS
🥇Ucrânia 🇺🇦 28.650
🥈Brasil 🇧🇷 28.550
🥉China 🇨🇳 28.350
4. Espanha 🇪🇸 28.200
5. Japão 🇯🇵 27.350
6. Israel 🇮🇱 27.250
7. Hungria 🇭🇺 26.250
8. Polônia 🇵🇱 24.050
Resultados completos


