Babi conquista o melhor resultado de sua carreira em mundiais

Brasileira é a 9ª melhor ginasta do mundo. Geovanna termina em 18º. Varfolomeev leva o bi

Barbara Domingos conseguiu outro feito: o melhor resultado do país em mundiais. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Barbara Domingos conseguiu outro feito: o melhor resultado do país em mundiais. | Foto: Ivan Carvalho/CBG

Muitos achavam que Barbara Domingos se retiraria das quadras após ser finalista dos Jogos Olímpicos de Paris. Entretanto, a ginasta surpreendeu ao anunciar, no final de 2024, que continuaria na ginástica rítmica. Este ano, a brasileira conquistou mais um feito. Obteve a melhor classificação de uma atleta do país em campeonatos mundiais. Ela foi a nona colocada na final do individual geral do torneio que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

Até então, o melhor resultado de Babi em mundiais tinha sido o 11º lugar em Valência, em 2023. Desta vez, com 28.250 no arco, 27.250 na bola, 29.100 nas maças e 27.600 na fita, ela somou 112.200, o que lhe rendeu a nona colocação.

Nesta sexta-feira, a verdadeira Barbara Domingos, finalista de Paris, entrou em quadra. Era perceptível a mudança em relação às classificatórias. Mais solta, mais segura, desfrutando cada momento e, principalmente, cravando cada elemento de suas séries.

“Hoje eu me entreguei de corpo e alma nas minhas séries porque essa Babi que vocês viram competir é a Babi também que eu conheço. Eu pensei: se eu errar, pelo menos eu erro com convicção tentando acertar. Foi com esse sentimento que eu entrei em quadra”, afirmou a atleta.

Barbara revelou um problema que afetou sua preparação para o Mundial. Uma inflamação ocular nos 15 dias que antecederam o campeonato fez com que ela tivesse que treinar sem lentes de contato. Para quem tem oito graus de miopia e astigmatismo no olho esquerdo e sete graus de astigmatismo no olho direito foi praticamente como treinar “às cegas”.

“Foi agoniante. Eu não enxergava nada. Eu chorava todos os dias e não tinha o que a gente fazer. Tem até uma foto que eu estou treinando de óculos preso com esparadrapo. Realmente, a gente tentou, mas não conseguiu”, explicou.

Babi, no entanto, acredita que o treinamento “às cegas” teve um lado positivo.

“Quando eu era criança, eu treinava sem lentes. Eu comecei a usá-las com 12 anos. Então, eu tive que aprender muito essa questão de tempo de aparelho, de lançamento. Por um lado, treinar ‘às cegas’ foi bom porque deixou meus lançamentos mais precisos em alguns movimentos. Foi um desafio muito grande que a gente conseguiu passar por cima”, celebrou.

A diferença do comportamento da atleta das classificatórias para a final do individual geral também se fez presente nas pontuações. Além da melhora na nota de fita, ela conseguiu 29.100 nas maças, sua maior pontuação do ano, levando em consideração todos os aparelhos.

“Foi engraçado que, quando saiu a nota, eu falei: caraca, o que é isso? A gente sabia que a série de maças é muito forte tanto que, em Valência, a gente conseguiu a final nas maças. A gente sabia que era só eu fazer”, disse.

As maças renderam a melhor pontuação para Babi: 29.100. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
As maças renderam a melhor pontuação para Babi: 29.100. | Foto: Ivan Carvalho/CBG

Babi também fez que questão de ressaltar que a união da equipe individual do Brasil foi fundamental para que ela pudesse se recompor após os erros nas classificatórias.

“Eu fui muito acolhida pela Gigi e pela Jojô (Gizela Batista, treinadora de Geovanna Santos). Foi algo incrível. É muito bom saber que o individual se uniu e todo mundo se ajuda, se acolhe uma na outra e é isso o que faz a gente ter grandes resultados”, afirmou.

Babi ressaltou o apoio que recebeu de Geovanna Santos e sua treinadora Gizela Batista. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Babi ressaltou o apoio que recebeu de Geovanna Santos e sua treinadora Gizela Batista. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
GRANDE DESAFIO PARA MAYARA ELHKE

No início do ano, Mayara Elhke aceitou o desafio de ser a treinadora de Barbara Domingos, após a aposentadoria de Marcia Naves. Um ato de coragem, pois se tratava de uma grande responsabilidade assumir uma atleta finalista olímpica. Mayara explicou como ajudou Babi a se superar para o individual geral.

“É nossa responsabilidade resgatar o atleta. É sentar, colocar a cabeça no lugar, conversar, mostrar que ela estava pronta, que estava preparada”, afirmou.

Foi também a primeira experiência de Mayara como treinadora em um Campeonato Mundial. Para ela, o fato de o campeonato ter sido realizado no Brasil a ajudou a se sentir mais à vontade.

“Acho que como foi nosso país foi diferente. Muito público, é muita gente, torcida. Também tem a facilidade de que todo mundo fala a nossa língua e a gente encontra muitas pessoas conhecidas. Todo mundo que está trabalhando no evento é colega de profissão. Então, isso me deixou mais segura, me senti acolhida por todo mundo. Foi bacana”, avaliou.

JOJÔ FICA EM 18º LUGAR

Em sua primeira participação em uma final de individual geral de um Campeonato Mundial, Geovanna Santos finalizou a competição em 18º lugar. A brasileira vinha fazendo séries bem parecidas com às das classificatórias. Porém, na fita, ela teve uma queda do aparelho em um boomerang e não conseguiu recuperar a fita no risco final. Ao todo, a brasileira somou 107.450.

Geovanna disse que não acreditaria que um dia seria uma finalista mundial, especialmente se fosse perguntada sobre isso em 2023, após o Campeonato Mundial de Valência, quando não conseguiu a vaga para os Jogos Olímpicos de Paris. Ela revelou que competiu emotiva, pois a colocação de 13º, que a levou à final do individual geral, foi a mesma do primeiro dia de competição em Valência. Porém, com os erros do segundo dia, ela ficou fora dos Jogos.

“Hoje foi difícil pra mim. Eu acordei um pouco mais emotiva porque em 2023, no Mundial, eu encerrei o primeiro dia da melhor forma possível, em 13º lugar. E ontem, eu saí com a classificação [para a final] de 13º lugar. Então, passou um filme gigantesco na minha cabeça. Eu fui a 13ª melhor ginasta classificada ontem. Isso me remeteu um pouco à Valência, mas de uma forma positiva, um sentimento bom, de que valeu a pena não ter desistido e que hoje eu me tornei uma finalista mundial. Meu objetivo é ir para as Olimpíadas de 2028”, comentou Jojô.

Geovanna Santos deixou toda a sua emoção em quadra na final do individual geral. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Geovanna Santos deixou toda a sua emoção em quadra na final do individual geral. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
VARFOLOMEEV É BICAMPEÃ

Darja Varfolomeev não teve um início tão bom quanto poderia ser com a bola. Mas se recuperou nos outros aparelhos e conseguiu todas as outras notas acima de 30 pontos. Com 121.900, a alemã conquistou o título de campeã do individual geral pela segunda vez na carreira.

“A vitória significa muito para mim porque é um novo ciclo. É um novo começo. É uma medalha importante para mim, para a equipe e para a minha treinadora. Mostra que todo o trabalho duro não foi à toa”, avaliou Varfolomeev.

A ginasta contou com um pouco de sorte em relação às adversárias. A briga pelo título ficou mais fácil quando Stiliana Nikolova, que tinha feito séries brilhantes com maças e fita, enfrentou problemas com o arco. Ela teve uma perda do aparelho ao tentar lançá-lo na reversão para frente sem mãos. A búlgara, entretanto, conseguiu voltar concentrada para a bola e conquistou a medalha de prata. Nikolova estava completando 20 anos e disse que esta foi a primeira vez que competiu em seu aniversário. Ela disse estar orgulhosa de sim mesma.

“Eu diria que sim. Estou triste pela série de arco. Mas você nunca sabe o que as outras ginastas fizeram. Então, você tenta o seu melhor. É muito bom ganhar uma medalha em meu aniversário. Mas ainda não acabou. Eu tenho quatro finais por aparelhos. Espero que eu possa fazer todas as quatro séries sem erros”, comentou Nikolova.

Sofia Raffaeli fez uma competição bem mais equilibrada do que nas classificatórias. Ainda assim, não conseguiu repetir a boa performance com as maças, que tinha rendido uma nota maior do que 30 pontos. Porém, a regularidade compensou e ela conquistou a medalha de bronze.

“Para mim é muito importante porque eu trabalhei duro no último mês. Eu troquei de clube e a minha consciência está tranquila. Eu consegui manter o foco e minha concentração antes dessa final e tentei fazer o meu melhor”, afirmou Raffaeli.

Grande candidata ao título, Taisiia Onofriichuk ficou em quarto lugar. A ucraniana melhorou a performance com a bola e com a fita em relação às classificatórias. Porém, não foi bem com arco e maças, com inclusive uma queda de aparelho em uma DA.

“Estou muito feliz por estar aqui. Eu me preparei muito para essa competição. Então, espero que ainda consiga ganhar uma medalha”, disse Onofriichuk.

Na cerimônia de premiação, uma gafe. Foi tocado o hino da Geórgia e não o da Alemanha. Darja Varfolomeev não se incomodou com o problema.

“Não era o hino alemão, mas está tudo bem porque todas as pessoas cometem erros. Foi a segunda vez que isso aconteceu comigo”, explicou a campeã olímpica.

Darja Varfolomeev (centro) conquistou mais um título mundial. Stiliana Nikolova foi prata e Sofia Raffaeli ganhou o bronze. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Darja Varfolomeev (centro) conquistou mais um título mundial. Stiliana Nikolova foi prata e Sofia Raffaeli ganhou o bronze. | Foto: Ivan Carvalho/CBG

RESULTADOS

AA
🥇Darja Varfolomeev 🇩🇪 121.900
🥈Stiliana Nikolova 🇧🇬 119.300
🥉Sofia Raffaeli 🇮🇹 117.950
4. Taisiia Onofriichuk 🇺🇦 117.400
5. Takhmina Ikromova 🇺🇿 114.650
6. Anastasia Simakova 🇩🇪 114.300
7. Rin Keys 🇺🇸 112.650
8. Eva Brezalieva 🇧🇬 112.200
9. Bárbara Domingos 🇧🇷 112.200
10. Meital Maayan Sumkin 🇮🇱 110.900
11. Polina Karika 🇺🇦 110.600
12. Megan Chu 🇺🇸 109.950
13. Tara Dragas 🇮🇹 109.850
14. Emir Hatice Gokce 🇹🇷 109.350
15. Daniela Munits 🇮🇱 108.400
16. Liliana Lewinska 🇵🇱 108.300
17. Amalia Lica 🇷🇴 107.500
18. Geovanna Santos 🇧🇷 107.450

Resultados completos

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