Pioneiras: importância da representatividade na ginástica rítmica

Na edição do Rio de Janeiro, sete ginastas foram as primeiras de seus países a participar de um campeonato mundial

Ariana Croes, de 18 anos, se tornou a primeira ginasta de Aruba a participar de um Mundial de GR |  Foto: Ivan Carvalho/CBG
Ariana Croes, de 18 anos, se tornou a primeira ginasta de Aruba a participar de um Mundial de GR | Foto: Ivan Carvalho/CBG

Em todos os Campeonatos Mundiais de Ginástica Rítmica, a grande quantidade de atletas individuais faz com que os dois primeiros dias de classificatórias sejam bastante longos. Na edição do Rio de Janeiro, as 101 ginastas foram divididas em quatro grupos e competiram das 9h às 22h35. Uma jornada dura para árbitros, jornalistas, fotógrafos e profissionais da organização do torneio, que precisam permanecer no ginásio durante todo esse tempo. Como a maior parte dessas ginastas não irá disputar medalhas ou sequer vão conseguir um lugar nas finais, muitos se perguntam: não seria melhor reduzir o número de participantes?

Pensando de forma racional, em termos de redução de desgaste físico e mental dos envolvidos e dos custos financeiros empregados, qualquer pessoa diria que sim. Entretanto, quando conhecemos as histórias por trás das atletas e o que elas representam para a ginástica rítmica de seus países, a situação muda.

O Campeonato Mundial do Rio de Janeiro foi ainda mais especial para sete ginastas que fizeram história como as primeiras de seus países a participar de uma edição do torneio. É surpreendente pensar que ainda existem nações que nunca conseguiram enviar uma atleta a um Mundial de GR, um campeonato realizado desde 1963. Em 2025, as pioneiras foram: Ariana Croes, de Aruba; Anaïs Ossonon, da Costa do Marfim; Gloriana Sánchez, da Costa Rica; Susana Dominguez, do Paraguai; Lucerito Vargas, do Peru; Elissar Hanounik, da Síria; e Eya Boushih, da Tunísia.

Gloriana Sánchez, da Costa Rica, viu as Olimpíadas de 2016 e sonhou em participar de uma grande competição. | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Gloriana Sánchez, da Costa Rica, viu as Olimpíadas de 2016 e sonhou em participar de uma grande competição | Foto: Ivan Carvalho/CBG

Representante de Aruba, a ginasta Ariana Croes, de 18 anos, não conseguiu esconder as lágrimas ao falar sobre a sua participação no Mundial.

“Estou muito emocionada de estar aqui com atletas olímpicas e pisar no mesmo tapete que elas. Estou muito feliz pelo meu país e pelas meninas que virão depois de mim. Estou muito orgulhosa de mim, da minha treinadora e de toda Aruba. Estou super agradecida de estar aqui. É a competição da minha vida”, disse Croes.

Outra que estava bastante emocionada era a costarriquenha Gloriana Sánchez, de 18 anos.

“É um sonho realizado. Estou muito orgulhosa de mim. Desde pequena, desde que vi a Rio 2016, me inspirei. Vi Margarita Mamun, Yana Kudryavtseva e disse: ‘espero algum dia estar em um palco como esse.’ E, então, hoje estou aqui. É super emocionante para mim e estou super emocionada e muito orgulhosa”, afirmou Sánchez.

Primeira paraguaia a disputar um Mundial, Susana Dominguez acha que modalidade irá crescer no país | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Primeira paraguaia a disputar um Mundial, Susana Dominguez acha que modalidade irá crescer no país | Foto: Ivan Carvalho/CBG

Algumas atletas ressaltaram que o fato de o Mundial ser realizado na América do Sul colaborou para que elas pudessem realizar seu sonho.

“Ajudou muito ser aqui na América. Então, nos deram a oportunidade de estar mais perto para poder participar. Isso ajudou bastante”, comentou Sánchez.

A mesma opinião teve a paraguaia Susana Dominguez, de 16 anos.

“Sim, ajudou bastante. Facilitou muito as coisas para mim, as viagens, tudo isso. Fico muito feliz que seja aqui. Eu me sinto em casa, de verdade”.

Lucerito Vargas, atleta de 17 anos, do Peru, enfatizou a possibilidade de a família ter conseguido assisti-la presencialmente.

“Eu me sinto super feliz que o Mundial seja perto do Peru, do meu país, e que minha família possa vir me apoiar”, afirmou Vargas.

Lucerito Vargas, do Peru, ficou feliz porque a família pôde assisti-la presencialmente | Foto: Ivan Carvalho/CBG
Lucerito Vargas, do Peru, ficou feliz porque a família pôde assisti-la presencialmente | Foto: Ivan Carvalho/CBG

As atletas também acreditam que a participação delas no Campeonato Mundial irá impulsionar o desenvolvimento da ginástica rítmica em seus países.

“Eu gosto que seja aqui no Brasil porque também ajuda a tornar esse esporte mais visível para o Peru, para o meu país. E estou super feliz de estar aqui em um cenário tão bonito. Vai ser uma competição inesquecível para mim”, afirmou Lucerito Vargas.

“Eu acredito que depois da minha participação, a ginástica rítmica no Paraguai vai ter a oportunidade de crescer muito mais. Estamos começando com essa modalidade e o meu objetivo é que ela cresça até chegar as Olimpíadas”, disse Susana Dominguez.

“A ideia é que, a partir dessa participação, muitas garotas possam se inspirar continuar crescendo e continuar sonhando assim como eu uma vez sonhei”, finalizou Sánchez.

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