Daria Atamanov volta aos treinos e mira Los Angeles: “quero continuar a me empolgar”

Israelense anunciou pausa após ter ficado em 5º nos Jogos Olímpicos de Paris

Após um ano de pausa, Daria Atamanov decidiu que era hora de voltar. | Foto: Anna Kull
Após um ano de pausa, Daria Atamanov decidiu que era hora de voltar. | Foto: Anna Kull

A comunidade da ginástica rítmica ficou surpresa quando Daria Atamanov anunciou que daria uma pausa na carreira de atleta. Afinal de contas, o último ciclo tinha sido muito bem sucedido para a israelense de apenas 19 anos. Ela foi campeã europeia em 2022. Sofreu uma grave lesão no tornozelo, mas retornou em 2023 para ser medalha de bronze do individual geral no Mundial de Valência. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, foi quinto colocada. Agora, Atamanov anunciou que está de volta aos treinos.

Em entrevista ao jornal Israel Hayom, a ginasta revelou que precisava descansar o corpo e a mente e que seu retorno se deu pelos motivos certos: não pela pressão dos outros, mas de dentro do seu coração.

“Eu estava muito animada para voltar a treinar, não vou mentir. Eu vinha aqui de vez em quando para visitar as treinadoras e ver como as meninas estavam treinando. Nunca me senti com a alma cheia de vontade de voltar, mas quando voltei, fiquei animada, porque percebi que queria voltar aqui, treinar e competir”, afirmou Atamanov. Confira a entrevista concedida ao jornalista Oren Aharoni.

Daria Atamanov foi a quinta colocada nos Jogos Olímpicos de Paris. | Loic Venance/AFP
Daria Atamanov foi a quinta colocada nos Jogos Olímpicos de Paris. | Loic Venance/AFP

Em que momento você percebeu que estava pronta para retornar?
Senti isso no Campeonato Europeu realizado em junho, na Estônia. Assisti de casa e disse a mim mesma: ‘Quero estar lá’. Queria estar com as meninas novamente, vivenciar a emoção da competição. Percebi que tinha mais a oferecer. O código de pontuação atual me convém muito, e senti que ainda não havia terminado minha jornada.

Tanto o corpo quanto a mente precisavam dessa longa pausa, certo?
Sim, mas mesmo quando dei um passo para trás, senti por dentro que ainda não tinha terminado. As pessoas me diziam que este código estava estampado em mim, que era a minha hora, mas, até que viesse de dentro, eu não voltaria só porque os outros queriam. Precisava que viesse do meu coração.

Ao contrário da seleção de conjunto, você não anunciou oficialmente sua aposentadoria. Você sempre soube que voltaria?
Nunca anunciei publicamente que estava me aposentando. Sabia que não estava completamente satisfeita com a decisão. Sempre me dizia que poderia querer voltar de repente, então não fiz nenhuma declaração final. Isso também me ajudou – deixei uma brecha. Não me arrependo de ter tirado esse tempo de folga, eu realmente precisava. Precisei me distanciar um pouco para entender o quanto eu queria voltar.

Após dez meses se recuperando de lesão, Daria Atamanov foi medalha de bronze em Valência, em 2023. | Foto: Ulrich Faßbender
Após dez meses se recuperando de lesão, Daria Atamanov foi medalha de bronze em Valência, em 2023. | Foto: Ulrich Faßbender

Qual foi o momento mais difícil do último ano?
Eu treinava as meninas e gostava muito, mas a verdadeira dificuldade era ficar em casa e me sentir inquieta. Eu não estava feliz com a decisão e não conseguia entender o que estava me incomodando. Eu tinha uma sensação constante de que estava perdendo alguma coisa.

Poderia ter sido também um certo medo de retornar?
É verdade, talvez eu estivesse com medo, porque o ciclo olímpico até Paris foi mental e fisicamente difícil. A lesão na perna, a repetição interminável, as lesões repetidas vezes — é exaustivo. Talvez eu não quisesse voltar a isso, mas, no final, percebi que o esforço valeu a pena.

O fato de a campanha para Paris ter sido curta e você ter visto suas amigas continuarem para Los Angeles 2028 deve ter te motivado.
Sim, teve um impacto. Quando vi as meninas contra quem competia continuarem, com ótimas performances, pensei: ‘Se eu quero, por que não?’ Houve momentos em que hesitei, mas se houver hesitação, é sinal de que quero. Dizer ‘não quero’ é o mais fácil. Mas não quero chegar a um ponto em que, daqui a dez anos, olharei para trás e me perguntarei: ‘Por que você desistiu? Por que não tentou de novo?’.

Como foi contar para sua família e suas treinadoras que você estava pensando em retornar?
Foi um processo. Contei primeiro para as minhas amigas, e elas imediatamente me disseram: ‘Claro, por que não?’. Isso me deu coragem. Hesitei com a treinadora Ayelet Sussman, pensando que talvez ela não quisesse assumir todo o fardo de uma ginasta retornando depois de um ano parada. Mas ela me disse: ‘Claro, claro’. Ela me encorajou e me mostrou que todos os motivos que eu estava dando eram exatamente os mesmos que ela mesma havia imaginado. Isso me acalmou.

Aos 16 anos, Daria Atamanov foi campeã do individual geral do Campeonato Europeu de 2022. | Foto: Ulrich Faßbender
Aos 16 anos, Daria Atamanov foi campeã do individual geral do Campeonato Europeu de 2022. | Foto: Ulrich Faßbender

Como é o processo de retorno?
É um processo gradual. Agora, estou fazendo um treino por dia, não dez horas como antes. Não dá para voltar a esse ritmo imediatamente. Estou me recuperando aos poucos. Espero que, no início da próxima temporada, eu esteja em condições de voltar a competir de verdade. O mais importante para mim é chegar aos treinos com um sorriso, sem precisar me forçar.

Los Angeles é um destino tangível ou um sonho distante?
Esse é o objetivo final, mas de onde estou agora ainda está muito longe. Estou apenas no início do processo. Depois da próxima temporada, será possível encarar isso de forma mais realista.

Essa pausa fará de você uma atleta melhor?
Acredito que sim. Nos fortalecemos com as dificuldades, não com os sucessos. Assim como a lesão me fortaleceu, esta volta também me fortalecerá. Teria sido mais fácil desistir, mas escolhi continuar. Esta é mais uma prova para mim mesma de que realmente quero isso.

O que você deseja para si mesma nos próximos anos?
Em primeiro lugar, saúde. Para me lesionar menos, para manter minha singularidade como ginasta. Não quero ser apenas mais uma. Muitos me disseram que há algo especial em mim, e quero manter isso. Para não ficar entediada, para não virar rotina. Quero continuar a me empolgar.

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